quinta-feira, 1 de junho de 2017

Encontre sua própria mágica e pare de copiar o trabalho do coleguinha / Find your own magic and stop copying your buddy’s work

Tenho aqui pensado um pouco no quanto o empreendedorismo tem sido valorizado no meio da comunidade negra e principalmente do movimento negro.  As estatísticas que mostram um aumento no número de empreendedores negros e outros dados de sucesso sobre aqueles que decidiram abrir seu próprio negócio fazem com que cada vez mais muitos de nós optemos por empreender. E aí esse empreendedorismo vai desde abrir o próprio salão de cabeleireiro, ou um pequeno restaurante na quebrada até, para aqueles que estão em contato direto com a militância criar produtos ou oferecer serviços que tenham a cara a comunidade, seja um brinco, um turbante, um livro, uma bolsa. E assim esse mercado de produtos segmentados para aqueles que demonstram sua militância até no consumo tem crescido a cada dia. Isso é ótimo.
Como uma pessoa que acompanhou o crescimento de vários afro empreendedores nos eventos de militância eu fico muito feliz com isso. Fico feliz quando vejo a Ana da Xongani na televisão, ou quando encontro a Lucia nos eventos com as Bonecas Makena, ou quando lembro que fui na Feira Preta de rasteirinha na Praça Benedito Calixto e hoje o evento junta milhares de pessoas em grandes espaços como o Anhembi. Poxa isso é lindo de ver.
Mas tem um lado nisso tudo que me entristece muito. Quando eu penso que enquanto alguns tem o trabalho de criar, de inovar, de pensar um produto, ou serviço outros vão lá e simplesmente copiam, exatamente igual, sem tirar uma vírgula o trabalho do outro, ah isso dá uma tristeza.
Eu vejo por exemplo, o trabalho da Boutique de Krioula, que cresceu de tal forma que ampliou dos turbantes, para brincos customizados, com designer próprio, cada desenho feito e pensado na militância e aí vai uma pessoa dentro do próprio movimento e copia o trabalho da irmã, sem o menor pudor. Depois de um tempo já tem tanta gente copiando, que aí o espertalhão do empresário que quer apenas ganhar dinheiro tá copiando em larga escala e vendendo na 25 ou em qualquer lojinha de biju, o trabalho que o irmão passou horas fazendo lá no Capão e não vai ganhar um real por isso. Isso é triste pra caramba, pois o aproveitador da 25 foi a última instancia, mas tudo começou com um irmão furando o olho do outro. E essa furação de olho parece que virou moda em várias esferas no nosso meio.
Eu nem sou empreendedora e comigo aconteceram algumas situações parecidas. Quando nós pensamos o Dada Mkutano, ainda como pic nic das pretas, eu não tinha visto nenhum evento especificamente com o mesmo formato. Poucos dias depois uma pessoa criou um evento com o mesmo nome em outro lugar. Ficamos chateadas, mas pensamos outro nome, mais exclusivo, com mais significado. Depois outra pessoa criou um blog com um nome muito parecido com o meu, fiquei tão triste, pois tenho meu blog que é como um filho há 6 anos e a pessoa simplesmente copia, me doeu.
Lógico que as pessoas se levantam dessas trairagens, lógico que cada afroempreendedor que tem talento usa essas decepções pra se reinventar, no meu caso foi achar um nome novo pro encontro ou repensar como remodelar meu blog, até para ser mais visível em um mundo onde a galera já é toda youtuber e eu ainda to escrevendo, eheheh, a gente se reinventa, mas esse tipo de coisa cansa e é chato pra caramba.
Não que a competição não vá existir, lógico que vai. Não é porque uma irmã vende turbante, que você não vai vender, você pode e deve vender, mas não pode copiar o produto dela, tem que saber qual é seu diferencial, o que você vai trazer de novo.
Eu comparo com o mundo do rap. Quando eu era adolescente eu vi vários grupos de rap surgirem, desde aqueles na nossa quebrada mesmo, na escola e talz, até grupos grandes e muitos deles tinham uma coisa em comum: ao invés de fazer o próprio estilo, imitavam o Racionais. Até rimavam bem, tinham flow, mas imitavam o estilo dos caras e isso não pegava. O que aconteceu? quem daquela época conseguiu achar seu próprio estilo ficou, cresceu e brilhou, quem era só uma cópia descarada do Racionais, caiu rapidinho, ninguém nem ouve falar mais no nome, porque os caras tinham uma pegada e uma mágica que era deles.
Eu vejo a galera falar muito sobre Black Money e como a comunidade afro americana se fortalece, comprando uns dos outros e etc. Então deixa eu falar uma coisa que vale aprender com eles: Quando um@ negr@ americano se destaca porque foi o primeiro a empreender em uma área ou na outra, seja como o primeiro a criar gravata borboleta estilizada ou seja lá o que for, as outras pessoas ficam felizes por ele, compram dele e quem quer ser empreendedor fica pensando no que ele também pode ser o primeiro. Ninguém quer ser o número dois. Todo mundo pensa em como inovar. E assim surge uma gama enorme de produtos, todos produzidos e consumidos pela comunidade negra e nossa economia se fortalece. Mas no momento o que acontece é um tentando enterrar o outro.
Lembro de ter ouvido uma pessoa falar uma vez que as pessoas do movimento negro no Brasil são como caranguejos em um balde, onde todo mundo ta tentando sair, mas ao invés de empurrarem quem já ta subindo pra fora, eles puxam o que tá no topo pra baixo.
O que estou querendo dizer, é que se sua ideia é fortalecer a comunidade negra copiar o produto do outro  não é o caminho. Porque essa lógica de puxar o tapete, copiar, não é afro empreendedorismo, é na verdade antropofagia, canibalismo e não vai fazer nosso movimento crescer. Agora se você só tá preocupado com o lucro e quer que a comunidade se lasque, aí é outra coisa ne e mostra bem o tipo de pessoa que você é.
Para fazer a comunidade crescer é preciso ter diversidade de ideias, de produção e de serviços oferecidos. Então quando a irmã cria lá o grupo Afrodengo no Facebook e ele bomba, você não tem que criar outro grupo com o mesmo nome e roubando o logo. Achou a ideia legal, pense em algo novo, que vá além daquilo, tipo o primeiro site de relacionamentos para negros no Brasil (aí que legal, vc já saiu da dependência do Zuckinho e vai virar sua própria versão de Santo Antonio). Se a Xongani fez um vestido de noiva afro, não vá você copiar o vestido de noiva afro da Xongani, pois a mágica da Ana Paula é dela, mas já que você se interessou pelo mercado, vá você e crie sei lá a primeira linha afro para casamentos, ou a primeira empresa temática para casamentos oferecendo da decoração ao buffet com esse tema (pensa quantas noivas vão comprar o vestido Xongani e já perguntar se ela conhece um buffet e ela vai indicar qual? O seu). Se a irmã vende camisetas customizadas e vc quer vender, não copie o desenho dela, seja você sei lá, o primeiro negro a montar uma confecção de roupas brancas estilizadas no Brasil (vc já se perguntou quantas peças de roupas brancas se vende no Brasil?). Se a Patricia Santos criou a Empregueafro, a primeira empresa de RH com foco na população negra e oferece consultoria em empresas para aumentar a diversidade corporativa e mudar a mentalidade excludente do mercado e conseguir colocar mais negros no mercado de trabalho, você não vai oferecer o mesmo produto nas mesmas empresas, ao invés disso você vai ver como você pode complementar o trabalho da Patricia, seja fechando parceria com ela, ou oferecendo cursos de capacitação que supram a necessidade do cliente. Se a Ebony English oferece curso de inglês com cultura negra, não vá vc criar um curso concorrente, isso já tem, seja você talvez o que vai criar a primeira agência e intercâmbio especializada nesse tipo de curso ou turismo  e a Marta Celestino, gerente da Ebony até vai fechar parcerias com você.
Isso são só exemplos que passaram pela minha cabeça, mas o que eu quero dizer é: seja lá como for encontre sua própria mágica e pare de copiar o trabalho do coleguinha.




Note: This article was created first as a FB post, and then my friends thought it would be a nice subject to approach in the blog. You will notice that the text talks about specific issues of the Afro Brazilian community that may or may not making sense in other countries.
I have been thinking of how entrepreneurship has been valued among the Afro Brazilian community and mainly inside the Brazilian Black movement. Statistics show an increase among Black entrepreneurs in Brazil and other data that shows the success of those who decide open there own business. These cases may influence some of us to decide open our own business and become entrepreneurs as well.
Being a Black entrepreneur can have different meanings, since open your own beauty shop or a small restaurant in the hood, till, for those who are activists create their own brand  or offer services that looks like the community, and that can be earrings, head wraps, a book, a purse. In these past years, this segmented market focused on those who demonstrated their activism in the consumption of products that illustrate their activism has been increasing each day, and this is really great.
As an activist and as someone who has been observing the growth of several Black entrepreneurs in the activist events I am particularly happy with this fact. I feel happy when I see Ana Paula Xongani from Xongani on TV, or when I meet Lucia Makena with the Makena’s Dolls or when I remember that I used to go to Feira Preta, when it was located in the Benedito Calixto square using sandals and now it is an event that join thousands of people in huge spaces such as Convention centers. This is so beautiful.
But there is another side of this that makes me really sad.  When I think that while some people are working hard to create, to innovate, to think about a product, others just go there and just plagiarize, without any shame, the other person work. This is really really sad.
I see for example, the work of Boutique de Krioula, a company that increased so fast that they extended their business of selling turbans only to customized earrings, with their own design, where it piece as its own print that is created with the activism on mind and unfortunately a person that is part of the Black movement goes there and plagiarize the work, without any scrupulous. After a while so much people are copying it, that a big “smart” entrepreneur that only want to makes money start to create pirate copies in large scale and sell it in the dollar store or at any jewelry store in the corner. In the end the brother who spent hours creating something in his neighborhood won’t make a dollar from it. This is really sad because the profiteer that pirated it was the last instance, but everything started with a brother cheating on the other. Unfortunately, look likes that this betrayal became something common among us.
I am not even an entrepreneur and at least two similar situations happened with me. While I was doing my field research in Brazil in 2015, my friends and I decided to create an event named “picnic das pretas”, a  Black women meeting, where the basic idea was to have a picnic in a park and talk about our feelings and issues. We created an event on FB and it was a success, but after few days, another person created an event with the same name in another place. We were so upset, but we just thought about a new name, more exclusive and that would be more meaningful to us: Dada Mkutano.  In another moment, a person created a blog with a name that is really similar to my blog’s name. It made me so sad, because this blog is six years now and it is like a son to me and the person just goes there and copy it. This is so painful.
Of course people will turn around and restart when something bad like that happen, each Black entrepreneur has enough talent to use this disillusion to reinvent themselves. In my specific case, we decided to find a new name to our meetings and I am thinking about to remodel my blog, to have more visibility in this millennial world where people are youtuber or digital influencers and I am still writing, lol. Of course we reinvent ourselves, but this kind of thing is really tiring and annoying.
Of course competition will exist. It doesn’t mean that you can’t sell turbans because another sister is selling turbans, what I mean here is that you can’t plagiarize her work. You need to know what your differential is, what you are presenting that is new.
I compare with the hip hop world in Brazil. Growing up as a teenager, I saw several rap groups emerging, a lot of them. Some from our neighborhoods, in our schools, and even some really big groups. Many of these groups had one thing in common: Instead of having their own style, they used to copy the style of Racionais MC’s (the main rap group in Brazil). They had good rimes, a nice flow, but they were imitating another group style and that was not something attractive to the audience. What did happen to those groups? Those from that time who found their own style were able to survive, became big artists and shine in the rap world. However, those who were only a copy of Racionais, were lost in the time, and nobody even hear about their name. Because Racionais, have their own magic.
I observe a lot of Black Brazilians talking about Black Money and using the African American community as an example of how the Afro Brazilian community can be strengthened by buying from other Black people and etc. So let me tell you something that you could learn from them: When a Black American gets highlighted because he was the first entrepreneur in any area, or doing anything new, no matter if it is to create the first stylized bow tie or whatever it is, other people in the Black community become happy about it, they buy the product and those who want to be an entrepreneur will think about what kind of product they can create to also be the first Black American to do something, whatever it is. No one wants to be number two. Everyone thinks about innovate. Then, it gives space to a gamma of products , all produced and consumed by the Black community and that strengthens our economy. But in Brazil what is happening at this moment is a person trying to bury the other.
Its reminded me that one time I heard a person saying that people in the Black political movement in Brazil are like crabs in a bucket, where everyone is trying to get out, but instead of pushing those who are in the top out of the bucket, they pull down those who are on top.
What I am trying to say is that if your idea is strengthen the Black community, plagiarize someone else product is not the right way to do it. Because this logic of cheating and copying isn’t afro entrepreneurship, instead it is actually anthropophagy, cannibalism and it won’t make our movement grow. Now, if you are just concerned with profit and not give a fuck about the community, so that is another thing and it shows exactly who you are.
To help our community grow is necessary to have ideas that are diverse, an offer of different products and services. So, while the sister creates the Facebook group Afrodengo to introduce Black people to each other and it is a success, you don’t need to plagiarize it, even copying their name and logo. If you think the idea is cool, you should go further and think about something new, that can go over it, like the first dating website in Brazil (see, how that is cool, you are not depending on lil Zuckerberg anymore and now you will be your own version of San Valentine). If Xongani creates the first afro bridal gown in Brazil, you don’t need to copy it, because Ana Paul has her own magic, but if you are interested in this market, just go there and create the first Afro wedding collection, or the first thematic wedding company, offering decoration and buffet service with this theme (imagine how many brides will buy Xongani’s dresses and when they ask Ana if she knows a buffet , who is she going to indicate? Of course that is you). If a sister is selling customized t-shirts and you want to sell it, you don’t need to copy her design, you can be the first Black person to create a stylized white clothes’ collection (have you wondered how many white clothes are sold in Brazil?). If Patricia Santos created Empregueafro, the first  HR company focused on the Black population and offers Consulting services to companies that will help them increase corporate diversity and will help to change the excluding mentality of the job market and include more Black people on it, you won’t offer the same product to the same companies, instead you will see how you can complement Patricia’s work, creating a partnership with her, or offering courses training courses that can supply the client demands. If Ebony English offers English courses with Black culture, you shouldn’t go there and create the same thing, maybe you should be the one creating the first exchange program specialized in this kind of course or a tourism agency, in that case Ebony can even create partnerships with you.
These are only few examples that I can think right now, but what I really want to say is: whatever you decide to do, find your own magic and stop copy your buddy’s work.



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